sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Metrô

Quando ontem entrei no metrô, um cheiro forte dilatou-me as narinas.
Procurei de onde provinha tamanho odor. Há um único assento vazio no vagão e ao lado do assento vazio está a fonte do odor.

Era um trabalhador negro, mais negro que a noite. Mas não pensem vocês que era apenas a negrura que a natureza lhe deu, não! O trabalho ao sol lhe agudizou a tez. Parecia ter uns 38 anos, mas deveria ter muito menos.

Entre o mau cheiro, que eu já me havia esquecido, uma pergunta me surgira: que culpa tem o peão, fudido, proleta, fedido, se ao patrão lhe parece que água e sabão amolecem o trabalho?