segunda-feira, 5 de abril de 2010

Fragmento de "Os sofrimentos do jovem Werther", de Goethe.

Um teperamento dócil suporta tudo. Um temperamento dócil! Rio ao ver como essas palavras me brotaram da pena. Ah! um temperamento um pouco mais dócil faria de mim o homem mais feliz deste mundo. Pois, então? Outros, com um pouco de força e talento, passam diante de mim demonstrando confiança em si mesmos e eu próprio coloco em dúvida minhas forças e minha inteligência? Deus do céu, que me concedeu tantas graças, não podia deixar-me sem metade delas e, em troca, fornecer-me autoconfiança e contentamento? [...]

Sem dúvida, visto que somos feitos assim, gostando de nos comparar com tudo e com todos, a felicidade ou a desgraça reside nos objetos que colocamos em comparação: por isso, não há nada mais perigoso do que a solidão. Nossa imaginação, por natureza tende a se elevar, alimentada pelas fantásticas imagens da poesia, cria uma porção de seres, dos quais somos os mais insignificantes, e tudo o que está fora de nós parece magnífico, e passamos a considerar qualquer outra pessoa mais perfeita.

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