domingo, 10 de outubro de 2010

Vende-se

Hoje, morreu um camarada
Na entrada do cemitério, muitas flores
E uma placa onde se lia:
"Vende-se"

Ao sair do cemitério, notei que fazia algum tempo que eu não comia
Mesmo sem fome, decidi que precisava fazer uma - ainda que amarga - refeição
Em frente ao restaurante, um menino-faminto pedia moedas diante de uma placa, onde se lia:
"R$ 21,90 o quilo"

Ainda vi uma velha, uma velha pobre ser atropelada em frente a um hospital
Uma ambulância levou-a para outro hospital, não aquele em frente onde a velha fora atropelada
Não havia placas, mas houvesse, leria-se:
"Vende-se leitos"

Ao chegar em casa, um recado na secretária eletrônica dizia:
"hoje tem confraternização, traga doze cervejas"
Não fora dito, mas bem poderia dizer:
"Vende-se um encontro entre amigos"

Hoje, eu bem queria dizer
Até tentei fazê-lo
Se eu pudesse dizer, diria
"Não estou à venda"

5 comentários: