quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Hélio

PARA LER OUVINDO: "Jesus, a alegria dos homens", de Johann Sebastian Bach





Hélio era leve como o gás que lhe dava o nome
Era leve a ponto de ser motivo de irritação entre os que o rodeavam
(aliás, era impossível rodear hélio)
Hélio era nobre, completo

No escritório era um tanto destacado, assim como na tabela periódica
Hélio era a calma quando tudo era tormenta
E era a calma quando tudo era calma também

Quando Hélio dançava, não importava o salão cheio
Ele passava com o seu par, lindo, entre todos
E sorria um sorriso leve

Ele sabia que era leve
E tinha tanta certeza de sua leveza
Que um dia resolveu prová-la ao mundo
(o mundo, aliás, já estava convencido disso)

Foi até o terraço do prédio em que trabalhava e subiu na balaustrada
Mirou a calçada e saltou
Achou que evaporaria, mas se estatelou no chão

4 comentários:

  1. Bravoo!! Tão mentiroso... e tão verdadeiro Hélio!

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  2. É bom parar com a comparação filha da puta! hehhe!!!

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  3. Um poema leve
    sobre um assunto mais leve ainda.

    Boa construção.

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