quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Três diálogos

- Olá! Você tá sozinho?
- Sim, resolvi sair pra tomar algo.
- Aceita?
- Hum, não sei. O que é isso?
- É “mentira”, com um pouco de vodka.
- Melhor não, nunca me acostumei a drinks exóticos.
- Olha que você vai gostar, hein?
(ele toma um gole)

***

- Alô?
- Oi, quem fala?
- Sou eu, amor! Liguei pra dizer que estou morrendo de saudades e não vejo a hora de chegar amanhã e voltar pra casa.
- É, tentei te ligar o dia inteiro hoje, mas só dava na caixa...
- É que o sinal aqui é péssimo, cê sabe, né?
- Verdade. A que horas te pego na rodoviária?
- Não se preocupa amor, eu pego um táxi, ainda não sei que horas saio daqui. Os ônibus aqui estão uma merda!
- Nesse caso, eu preparo o jantar! Te amo!
- Também te amo!
(Do outro lado da linha, um homem tira o salto da moça enquanto lambe os seus pés.)

***

Eles se encontraram, por acaso, num café.
- Nossa! Há quanto tempo!
- É, já faz cinco anos...
- Cinco anos que...
- É, cinco anos. Mas me conta, o que anda fazendo?
Disse ela, tentando defenestrar o assunto
- Eu, bem... ando fazendo minhas coisas. Nada muito diferente de quando estávamos... quero dizer, de quando a gente tinha contato.
- No fim, sempre foi o que você gostou de fazer, ou não? Vou supor que está feliz.
- Sim, claro. E você?
- Se eu tou feliz? Ah! Muito!
Ela não fora feliz ao seu lado, pensava ele enquanto tentava disfarçar o indisfarçável constrangimento daquela situação.
- E você já casou?
Perguntou como quem fazia uma brincadeira.
- Não morre mais! Júlio, vem aqui, quero te apresentar um amigo, o Pedro.
Com um sorriso mais-que-simpático no rosto, Júlio aperta a mão de Pedro.
- Muito prazer, Pedro.
- Igualmente.
Pedro sabia que ela nunca havia falado dele para Júlio e isso, estranhamente, lhe doía mais que o fato de que ela estava casada.
- Bom, eu preciso ir, tenho muita pressa, deixei algumas coisas na universidade e... bem, tenho que ir.
Saiu Pedro andando como um bêbado, sem nem esperar um “tchau”.

2 comentários:

  1. Gostei. É triste, sem ser depressivamente dramático (como disse a uma amiga). E se encaixa como uma luva no cotidiano de nossa sociedade, de nosso tempo.

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  2. Se encaixa, simplesmente se encaixa! (rs)

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