segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um ano novo (eles dizem)

PARA LER OUVINDO "CLAIRE DE LUNE", DE DEBUSSY (É SÓ APERTAR O PLAY)




Dizem que um ano novo é uma espécie de novo ano
(eu discordo)
Como de costume, fugi dos festejos
(mas estava bem perto deles)
Família reunida
(e unida, eles juram)
na casa de praia

Às 23:10 fujo para longe deles,
caminho até a praia,
deito na areia,
o céu estava estupendamente lindo
(como há tempos, não o via)

Os fogos já estão estourando
O espetáculo é mesmo belo
(os humanos bem poderiam soltar fogos todas as noites)
Na minha cabeça, uma canção começa a tocar: Claire de Lune
(mas numa espécie de piano mais triste)
E um ano inteiro me passa a cabeça
(na verdade, quase dois)

Dores
Crises
Choro
Inseguranças
Mentiras-quase-verdades
Um lugar seguro
Um cais desabando
Um amor
Os dias em que eu quis não existir
Os dias em que eu não existi
Os dias em que quase deixei de existir
Uma conquista sem comemorações
Uma cidade assombrosa
Uma cidade fantasma
Pessoas assombradas
Pessoas fantasmas
Os poucos amigos
(e bons amigos)

"Claire de Lune" cessa
Estou com as mãos cheias de areia sobre o rosto
Na boca, um gosto de areia
Nos olhos, uma dor insuportável
Meu peito, sangra.

Desculpem-me se as palavras estão em desarranjo,
mas assim foi aquele dia primeiro
assim foram as imagens que saltavam
(a mais plena consciência do fim).

Nenhum comentário:

Postar um comentário