domingo, 22 de maio de 2011

Sobre a arte de enganar-se

Primeiro ela lhe disse: acabou!
Depois disse a si mesma: sou livre, tão livre quando a própria liberdade
E era tão livre que escrevia que era livre
(Talvez achasse que ao repetir, realmente tornar-se-ia livre. E tinha razão)

Quando olhava-se no espelho enxergava a própria liberdade
E já tomava a liberdade em tão alta conta que até mesmo a representou (de forma mais que bela) num diálogo de estátuas: a melhor representação que tinha do concreto
E foi quando ela não mais quis ser livre

Por fim, ela quis se libertar da liberdade e de todas amarras do ar-livre
e ao fazê-lo buscou no mundo aquele que lhe arrancara toda liberdade, toda espontaneidade
Mas já não era tempo
Ele escolheu a liberdade... dela.

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