quinta-feira, 23 de junho de 2011

Vinte mil

Há vinte mil cacos no chão,
nenhum aspirador de pó,
nenhum tapete para encobri-los

sábado, 18 de junho de 2011

E se eu pusesse uma flor no teu cabelo?
E se eu te lesse poemas?
E se...
E...
...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Os reformadores

Os rodapés de Carvalho branco estavam afixados sem nenhum pingo de tinta
A pintura, aliás era de primeira, branco e vermelho, em tons e sobretons devidamente combinados
O assoalho de Ipê estava pregado como nenhum outro, nenhum ponto de dilatação, nenhuma fissura
E as paredes, então... elas tinham níveis, assim como o teto também tinha
A mobília estava impecável, era "velhamente" moderna
Mas os alicerces, os alicerces...
Esses sempre são deixados para depois pelos reformadores.

sábado, 11 de junho de 2011

Lá do alto

Lá do alto, Eles, com ar sério, conversavam:

- É preciso fazer algo pelos pobres!
- São muitas pessoas morrendo de fome, muitas mesmo.
- E os trabalhadores, que salário de fome...

Lá de baixo, um sem-fim de homens e mulheres caminhava tranquilamente (assim parecia pra quem via de cima). A conversa, dos de cima, prosseguia:

- Há que se fazer algo por essa gente, há que se fazer leis, decretos, campanhas. Essa gente precisa saber que eles são sujeitos de direito.
- Verdade, deputado, há que se fazer algo. Nós, da esquerda, temos que fazer algo, não podemos deixar o nosso povo na mão!

E enquanto acabava mais uma reunião do “Comitê para a salvação dos pobres” e os quitutes eram guardados, lá embaixo, os de baixo, se aglomeravam, sussurravam, trocavam papéis. Eram tempos de greve, eram tempos de atropelar todo o direito, eram tempos de acertar as contas com as gravatas e seus portadores, mas os de cima, os de gravata (ou mesmo os sem), os da linguagem do direito e do clamor aos coitadinhos, esses não sabiam o que estava por vir.