quinta-feira, 21 de junho de 2012

Fisicismo



Peguei meu "livro da sabedoria", mil quatrocentos e setenta páginas
Abri naquilo que eu achava ser o meio, página seiscentos e vinte um, letra F
"Fisicismo: Sm sistema que explica todos os fenômenos pelas leis da física: Os animais, os vegetais, os minerais devem ser considerados como valores e esse ponto de vista valorativo da ocupação humana do espaço não permite o Fisicismo em tais estudos." 
Justo hoje, que sinto não uma dor, mas um sofrimento, o dicionário resolveu me contrariar

Unidade-de-contrários...
Porra, Hegel! Não fode!
As palavras (ideação objetivada) dum lado; do outro, meu corpo - de um essente fisicismo - estremece
(fetichizo a mim mesmo ao opor dor e sofrimento assim tão-pouco-mediatamente)
Dicionário sem antônimos, te odeio!



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dois rios



 Caminho sobre a ponte que atravessa o rio.
 Há pouco chovia,
 agora, apenas o frio e o céu cinzento testemunham as águas caídas

 O rio sujo está muito mais sujo.
 Paro como Adriano Meis em frente ao Tibre, 
 mas não tenho bengala, nem chapéu, nem penso em saltar

 Simplesmente, tomo uma foto, duas...
 Sinto como se fossemos inimigos íntimos, pois ele se cala,
 como eu me calei por todo o dia (enquanto um rio me atravessava)

 Rio imundo!
 Não fosse tão sujo, inimigo meu,
 as pessoas te pronunciariam vagarosa e francesamente: ti-ê-tê!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Rachaduras

Rachaduras (Para ler ouvindo Lascia ch'io pianga, de Händel)





Sinto a vida (ou era um demônio?) a bater a porta e dizer que não havia porta, ela estava sempre aberta
E eu achava que estava seguro
Mas eles entraram
e me roubaram tudo
e acabaram com tudo
e me levaram os móveis
também as certezas
e, até mesmo,
as dúvidas
as boas dúvidas.
Eu achava que estava seguro
dos amores burgueses,
dos amores dos burgueses,
mas não estava,
ninguém está a salvo e sozinho
quando se está entre a luz e a sombra
do quarto que parece vazio.