terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval



Enquanto ela comemorava o carne vale,
aos gregos modos,
Era ele quem, de fato,
dava adeus à carne

Acompanhavam-lho
Hegel,
Göethe,
Engels,
Marx e alemães outros

Também juntava papéis mais
de menor importância
E buscava nas canções conhecidas
sonoridades desconhecidas
algum Fausto, Feuerbach, Mefisto ou Margarida
Mas da matemática musical (e de qualquer outra matemática) conhecia pouco

Escrevia, escrevia, escrevia
Fazia-o num crescente,
como cresciam os versos sem rima, sem métrica
a-p-á-t-i-c-o-s
Sem marchas, sem fantasias, sem beijos de carnaval
Acabava, assim, a última estrofe, em sete versos,
uma estrofe cabalística